Mãos Verdes coordena projeto para o fundo RegeneraRS

Em resposta aos impactos causados pelas enchentes de 2024 na capital gaúcha, as cooperativas de reciclagem do município iniciaram um movimento de reestruturação. Diferente de ações focadas apenas na compra de equipamentos para repor os bens perdidos, a Cooperativa de Trabalho Mãos Verdes, em parceria com a Universidade do Rio Grande do Sul (representada pelo Cluster Ecoar), coordena o projeto “Cidades Resilientes e Circulares”, financiado pelo fundo RegeneraRS.

A iniciativa propõe uma mudança de paradigma na gestão de resíduos e no desenvolvimento comunitário, com a visão de ir além da mera reconstrução material. O projeto pretende dar protagonismo e relevância às cooperativas nas áreas em que atuam, fundamentando-se na premissa de que organizações capilarizadas e integradas às suas comunidades demonstram maior resiliência em períodos de crise.

Para colocar essa visão em prática, o projeto prevê a incubação de três cooperativas de reciclagem, capacitando-as e desenvolvendo competências necessárias para ampliar sua atuação e integração local.

Diagnóstico e desafios na coleta seletiva

A proposta também aborda os gargalos estruturais na participação popular em relação à reciclagem. Segundo o projeto, a baixa adesão dos moradores à coleta seletiva e as falhas na separação correta dos materiais estão associadas ao caráter impessoal do modelo tradicional de coleta. Uma campanha de comunicação será criada para aproximar os moradores dos bairros Farrapos, Restinga e Bom Jesus das cooperativas Coadesc, CCPA e CTVP, com dicas práticas de separação de resíduos e vídeos mostrando a realidade dos catadores no seu trabalho diário.

Através de triciclos com a identidade visual da campanha, as cooperativas farão a coleta porta a porta das famílias que se cadastrarem no projeto, triando, pesando e dando feedbacks em tempo real. Dessa forma, fazendo com que um material mais limpo e de maior valor chegue às unidades de triagem. Aumentando a renda, gerando mais empregos e colaborando para que o resíduo não fique nas ruas, o que agrava grandemente as catástrofes climáticas.

Um ponto de encontro para fortalecer a Resiliência Climática nos centros urbanos

Dentro do projeto, foi criada uma plataforma digital e presencial que conecta cooperativas, comunidades, técnicos e gestores públicos. O Núcleo de Soluções para Resíduos Urbanos foi construído para integrar pessoas, dados, cooperativas e territórios em torno de soluções urbanas mais justas, regenerativas e resilientes.

Os dados inseridos pelas cooperativas na plataforma são fundamentais para a tomada de decisões assertivas, porque substitui o achismo por evidências reais.

Assim, monitoramos o progresso diário e produtividade, identificamos a viabilidade e perfil do público e fornecemos aprendizados sólidos para todos os stakeholders envolvidos.

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